Sou pleno quando permito que tome cada célula de meu corpo e transpasse cada poro. E mesmo quando não quero, mesmo afastado, sou envolvido. E me entrego. O pior é que me entrego.

E em minha entrega esqueço do mundo. Ou o mundo me esquece. Tanto faz. Tanto melhor que seja ambos. Porque meus olhos convergem para dentro e então me sinto. Me conheço melhor. E confesso que me assombra perceber como também me conhece tanto, como sabe onde tocar.

Naquela hora sou apenas eu. Respirar rapidamente, ver o mundo girar mesmo de olhos fechados e explorar meus limites me fazem sentir-me vivo, como se eu não fosse apenas uma conseqüência, mas o instrumento que dá harmonia à sua razão de existir.

E é pra isso que foi feita a música. Ninguém me tira da cabeça. Certa vez ouvi dizer que a felicidade só é feita de instantes.

Os meus surgem quando eu danço.

phewww…